Flip - modos de usar
o deslocar da literatura ao tentar se equilibrar em pedras
Oi!
Faz dois anos que não vou à festa mais badalada da literatura brasileira. Bom, pelo menos a mais badalada e aberta ao público, com as devidas aspas em “aberta” e “ao público”. De qualquer maneira, venci a ressaca pós-Flip de 2023 (a do apagão) e tô aqui preparando mala e pensando como posso compartilhar com vocês essa experiência que mexe muito comigo. Nem sempre de modo positivo, vale dizer.
Em 2026 participarei da programação paralela e também vou sassaricar entre as casas parceiras, que pra mim é uma das melhores partes da festa. Inclusive a pluralidade de autores, gêneros e editoras tem aumentado a cada ano, o que é um ótimo sinal e também impõe um grande desafio logístico. A cidade não deixa de ser pequena e nem de ter recursos limitados (vide o caos que tivemos no apagão em 2023). O turismo nessa época pode ser questionado se tem um tom predatório e a inclusão da população local segue sendo um imbróglio (que não acontece só em Paraty e nem só na Flip, claro). Acessibilidade é um tema sensível quando falamos de Flip, que acontece numa cidade linda e pedregulhosa… O que, de saída, já limita e dificulta o deslocamento (no centro histórico só se anda a pé). Os valores dispensados para estadia e alimentação também são consideráveis e pesam no bolso da maior parte das pessoas que participam: pequenas editoras, leitoras, autoras ou, em suma, um grande grupo chamado de gente apaixonada por livros.
Calma. Sei que o tom está parecendo "baixo-astral” demais pra quem tá indo curtir uma festa, mas sei que também escrevo este texto para muita gente que não vai pro rolê (e/ou nunca foi e talvez não tenha perspectiva de ir), por diversos motivos. E é por isso que gosto de ser sincera quanto aos percalços e apertos no investimento que é escolher/poder ir à festa. Sei que muita gente se culpa de nunca ter ido, que sente que perde oportunidades, que se percebe fora de um grupinho iluminado que já passou pelo batismo de Paraty. E eu entendo. Antes de morar em São Paulo e de me aproximar mais do universo literário profissionalmente, eu nem achava ser possível frequentar a Flip. Por anos pensei que para participar tinha que ser profissional da área ou ganhar convites. Não sei de onde tirei essa ideia, mas achei de que fazia sentido compartilhar porque nenhuma experiência é individual.
Então, se esse é o seu caso: não se sinta mal. Faça as pazes com suas possibilidades. E, se a Flip for um grande sonho, saiba que é possível se organizar para ele, ainda que tome tempo. Conhecer <gente como a gente> e que vai pra lá ajuda muito. Para além das estrelas da literatura, a maior parte da massa de pessoas se equilibrando nas ruas é feita de escritores independentes, de leitoras vorazes e de fãs incondicionais das diversas experiências proporcionadas através da literatura. Eu estarei torcendo para que você consiga. AH: importante! Todas as mesas da programação principal são transmitidas ao vivo pelo canal oficial no Youtube.
Agora vamos melhorar esse clima:

Minha programação - ou o que tentarei dar conta:
Quinta-feira, 23/07
11h - O boom das newsletters, com Bárbara Bom Angelo, Ana Lima Cecilio e Thais Farage, mediação de Gaía Passarelli, na Casa Estante Virtual.
14h - Tropicalismo fantástico, com Thiago Ambrósio Lage, Bruno Crispim e Lis Vilas Boas, na Casa Aleph.
20h - Corpos selvagens, com Eva Baltasar e Taty Leite, na Casa Queer.
20h30 - Ressonância Orides, com Marília Garcia, Prisca Augustoni, Mônica de Aquino, Patrícia Lavelle, Paulo Henriques Britto, Tarso de Melo e Edimilson de Almeida Pereira, na Casa da Cultura.
Sexta-feira, 24/07
10h - Brincar, construir, imaginar, com Carolina Vilar, Alex Andrade e Laís Graf, com mediação de Gabriela Matos, na Casa Estante Virtual.
13h - Odisseias femininas, com Bruna Lombardi e Tatiana Paranaguá, mediação de LiviaPiccolo, na Casa Record.
16h - Bestiários modernos, com Janaina Tokitaka, Marcelo Ferroni e Oscar Nestarez, mediação de Stéphanie Roque, na Casa Aleph.
17h - Lacunas: sobre amar os livros que não lemos, com Felipe Charbel e Pedro Meira Monteiro, mediação de Bárbara Bom Angelo.
18h - Narrativas do hoje, com Tatiana Vasconcellos, Cristina Fibe e Liana Ferraz, na Casa Estante Virtual.
Sábado, 25/07 - ✨MEU DIA DE BRILHAR ✨
13h30 - mesa e lançamento da coletânea Mulheres em travessia, com Isabella de Andrade, Bethânia Pires Amaro, Renata Belmonte, Mar Becker, Jana Viscardi e eu! Na Casa Acaso.
18h - A escrita breve na era das redes sociais, com Renata Ettinger, Gabriel Mattos, eu e mediação de Eliana Freitas, no Espaço Libre, Auditório da Praça Aberta, no Areal.
Domingo, 26/07
10h - Escalando a montanha: metalinguagem, poesia e delírio, com José Luís Peixoto e Bárbara Krauss | B de Barbárie.
Dicas gerais:
Carregue sempre uma garrafinha de água;
Lembre-se de levar na mala: guarda-chuva, protetor solar e repelente;
Leve sapatos confortáveis e de solados emborrachados, de preferência. Talvez não seja o melhor momento pra usar um sapato novo…
Tome um café da manhã reforçado, a hora do almoço é um mistério;
Prove os quitutes dos carrinhos de doce - vale até jantar bolo de mandioca;
Seja muito gentil com as pessoas que você admira. Tente ler a situação antes de interromper para pedir uma foto - pode ser um momento delicado de cansaço/descanso por exemplo, principalmente se forem pessoas mais idosas;
Não se aborreça se alguma coisa na sua programação der errado. Permita-se vagar pela cidade, o que não falta é programação!
Se você é escritora/escritor independente, analise BEM antes de presentear pessoas com seu livro. Ele é um investimento importante que você fez em sua carreira e às vezes a gente põe muita expectativa no retorno que exemplares presenteados podem render. Lembre-se: a estratégia que levou uma pessoa ao sucesso não necessariamente é uma fórmula mágica. Cada pessoa é singular e sua literatura também.
Fotos e vídeos são muito legais, mas o mais importante é estar presente no momento da experiência. Não esqueça de conversar olho no olho, com atenção e interesse!
Prestigie os eventos de seus amigos e conhecidos. Esse é um momento muito legal para fortalecer os vínculos e dar aquele apoio pra quem está lá, assim como você, construindo sua jornada literária;
Se não der para comprar nada além da alimentação diária, não compre. Não se sinta mal pelas limitações, a Flip é um rolê caro e exige sacrifícios. Seja gentil com você e aproveite do melhor jeito possível.
Se me encontrar, por favor, não hesite em me dar um oi! Vou amar poder conhecê-los pessoalmente!
Drops
Assista às mesas da programação principal ao vivo (ficam gravadas!)
As editoras têm postado em suas páginas do Instagram a programação da festa. Algumas ainda estão saindo, fique de olho que tem muuuuita coisa!
A famosa tabela de programação da Flip organizada pela Taty Leite. O lançamento do livro tá na linha 786, rs.
Nos vemos em breve! Se quiser acompanhar minhas postagens em tempo (quase) real, me segue lá no Instagram: https://www.instagram.com/ninapoua/
Um abraço,
paulamaria.





linha SETECENTOS E OITENTA E SEIS misericórdia o centrinho de Paraty tem mais coisa em quatro dias do que o sxsw em uma semana toda
aahhh, e a honra de estar nesta agenda? <3
Animada pra te ver!