Correr e coçar é só começar?
🏃🏽♀️três perguntas e respostas para iniciantes
Oi!
No texto de hoje retomo um assunto da minha rotina: a corrida. Mas tenha calma! Não sou praticante de seita, não quero te convencer a nada e muito menos te vender produtos – embora talvez fosse interessante conseguir descontos para quem me lê, o que acham? – voltando: o foco aqui é compartilhar minha pequena experiência e assim, quem sabe, chamar mais gente pra fora do ciclo do sedentarismo.
Joguei a ideia de escrever sobre atividade física num grupo agitado de escritoras e algumas delas toparam, então teremos um mini newsleteraço sobre o tema. Quando saírem as edições vizinhas, reunirei e compartilho com vocês num próximo envio, ok? Pra quem for de Notes, provavelmente também deixarei um recadinho por lá.
Prepare a garrafinha d’água e boa leitura!
Ano passado cogitei uma nova seção para a newsletter que intitulei de Segunda conjugação, na qual comentava sobre escrever, ler e se mexer. Foram duas edições animadas, mas que por algum motivo não consegui dar continuação. Tenho sempre muitas ideias e acabo sendo levada por elas no ímpeto… O problema é que no caminho aparecem outras quase tão sedutoras quanto a anterior e quando percebo, mudei novamente a direção.
A seção ficou para trás, mas a rotina de exercícios seguiu. Nem sempre tão firme ou mesmo tão forte, porém sem abandono por completo. O compromisso que estabeleci comigo é de respeitar meu tempo e meus limites de saúde com as variações hormonais, de disposição e também de vontade. Treinos de corrida e musculação são obrigações com minha saúde, é uma espécie de poupança para o futuro: pode ser uma recuperação pós-cirúrgica no médio prazo ou a capacidade de me levantar sozinha do sofá na velhice. Não sei quando vou precisar dessa reserva, mas sei que preciso investir agora e então há três anos tenho seguido este plano.
Já comentei em edições anteriores que desde os vinte e poucos anos não sou uma pessoa sedentária. Passei por uma série de atividades físicas como yoga, natação, caminhada, dança flamenca, dança contemporânea… De acordo com as possibilidades financeiras e de tempo, procurei organizar uma vida que permitisse deixar este corpitcho sempre em movimento porque é evidente que ele fica mais feliz e mais vivo. Este é o primeiro e maior motivo para começar a rotina de atividades físicas: manutenção do seu corpo para mim mesma. A partir desse pressuposto, respondo agora uma tríade de perguntas que me fizeram numa caixinha lá nos stories do Instagram. Sou corredora amadora há três anos e compartilharei um pouco do que aprendi neste tempo.
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1. O que você gostaria que tivessem te dito quando começou?
Apesar de estar treinando com frequência e orientação há três anos, na verdade não comecei a correr agora. Em 2012 quando entrei no mestrado em Psicologia, o estresse acadêmico rapidamente me abateu. Naquele momento estava sem bolsa, recém demitida de um trabalho que amava e sem perspectiva de um novo emprego — para ser bolsista não poderia ter vínculo empregatício e um emprego não me daria licença para as atividades do mestrado, um ouroboros de problemas. Dada a situação, resolvi parte do meu estresse com o que podia: um tênis, umas bermudas de praia, blusões folgados e um mp3 player. A proximidade com a praia ajudou e entre caminhadas mais intensas e pequenas corridas, cheguei a fazer cinco quilômetros por dia durante mais de um ano. Organizava minha rotina em dois momentos de estudos (manhã e tarde) e no final do dia saía para a corrida. Ter essa experiência prévia ajudou a retomar o hábito uma década depois. Também fui incentivada pelo meu companheiro que começou a treinar para corridas de longas distâncias e se adaptou super bem ao esporte.
Comecei lá atrás antes de todo esse modus operandi de redes sociais que temos hoje, que por um lado ajuda a popularizar as coisas e por outro parece que impõe altos padrões de consumo e performance. Eu te digo para fugir de tudo aquilo que te apresentam com “tem que”. Acho que a única coisa que precisa para começar é querer, de alguma forma, incluir atividade física na sua rotina. A corrida é versátil porque pode ser realizada em basicamente qualquer lugar, no horário que lhe for mais conveniente e ao contrário do que a medicina por décadas tem afirmado, é possível para (quase) todo mundo — sim, até pra quem tem joelho ferrado! Busque informação com divulgadores científicos responsáveis, fuja de médicos que não incentivem o fim do sedentarismo, use o material que você já tem (o tênis do seu armário, ele mesmo!) e, acima de tudo, seja gentil com o processo de aprendizagem. O corpo não é uma máquina… É um sistema complexo que gosta de desafios.
2. Tem planilha? Quem é sua treinadora? Como organiza seus treinos?
Quando retomei a corrida em 2022, comecei usando planilhas sugeridas por aplicativos gratuitos como Nike Run Club e Adidas Running, que contêm planos bem simples e tranquilos de seguir. Depois de alguns meses e já conseguindo correr cinco quilômetros, mesmo num ritmo devagar, decidi que poderia investir mais na atividade e que a orientação profissional seria um passo importante no meu processo.
Escolhi uma treinadora porque prefiro trabalhar com mulheres no geral. Sinto que sou melhor ouvida e acolhida… E encontrar a Gigi foi maravilhoso: sua abordagem é respeitosa, não me impõe desafios sem conversa, tira minhas dúvidas e está sempre de olho nos meus feedbacks ao final da semana de treinos. Dentro da minha rotina de trabalho e estudos, consigo correr três vezes na semana e a proposta de cada dia é feita pela treinadora através de um aplicativo. Também nos falamos via Whatsapp sempre que necessário. A Gigi Kaupe está no Instagram e também é figurinha constante no videocast Por Falar em Correr.
3. “Ainda não consigo correr… difícil pra mim”
Acho que é <fácil> para poucos, diria talvez que para raros. Mesmo quem não é sedentário e pratica outro tipo de atividade física vai apresentar dificuldades ao aprender uma coisa nova. Por exemplo: quando comecei a fazer musculação achava praticamente impossível realizar alguns exercícios, tanto pela complexidade da execução quanto pelo uso de pesos. Quando fui nadar já adulta percebi o quão difícil é completar 200 metros nadando, algo que faço tranquilamente numa caminhada acelerada. Podemos ainda transpor a necessidade de treino, constância e frequência para qualquer atividade na vida… Ler, escrever, desenhar, cozinhar, limpar uma casa, fazer um projeto, aprender uma rota de ônibus, cuidar de uma pessoa doente, dormir saudavelmente… A lista é comprida.
Se aprender a correr é um desejo forte, espero que você o persiga. Acredito que a vida é feita de diversos objetivos e que nem todos eles precisam ter um propósito <maior>. Às vezes a gente só quer se sentir capaz de cumprir um plano, de se organizar e cruzar uma linha de chegada. Nas primeiras vezes que passei pelo portal do final de uma prova de corrida me emocionei bastante… Na primeiríssima, chorei forte: senti todo meu corpo, esse meu grande companheiro. Abrace suas vontades, respeite seu corpo e apresente-o para novas aventuras.
Leia mais:
There’s a lot worth fighting for.
Há muita coisa que vale a pena lutar. (tradução livre)
Jane Goodall (1934-2025)
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Um abraço,
paulamaria









Adorei 🧡 Boas perguntas, com respostas relevantes
É bom ler sobre corrida fora de uma seita ou de posts biscoiteiros. Eu sempre tive, na corrida, uma carta na manga da atividade física, mas nunca fiz uma orientação profissional. Há uns três anos, consegui completar umas três corridas de rua de cinco km e fiquei orgulhoso comigo mesmo. Porém, a falta de outros exercícios, como musculação, fez falta e as dores no joelho e coluna me alcançaram. Comecei um treino funcional, duas vezes por semana, e sigo nessa tem dois anos. Mas parei de correr. Acho que me pressiono demais para ter uma boa performance e "fazer de um jeito ou de outro", tipo virar um Drauzio Varella. Me parece que o caminho é o que você comentou, Paula. Cuidar do nosso corpo para nós mesmos e fugir do "tem que".