Colcha de retalhos
é quase verão, então quis trazer uns fragmentos dos últimos tempos
Oi!
Novembro está sendo um mês muito longo, mais até do que aquela sensação de eterno agosto. Alguns rascunhos para a news estão na pasta, mas precisam de tempo e coragem para serem terminados, duas coisas que estão faltando por aqui.
Resolvi assumir que <quem fez, fez> e vislumbro as coisas para o próximo ano. É necessário plantar uma sementinha de esperança, uma vontadinha de seguir, um suspiro para acreditar. Respire aí que eu respiro daqui, ok?
Estou terminando provas e trabalhos da Usp e contando os dias para abraçar minha família e esticar as pernas na praia. Ainda nos falaremos antes disso, por agora, fiquem com essas formas breves.
Segura que tá acabando!
Apesar de surgirem poucas ideias para escrever, os sonhos, por outro lado, tem sido intensos. Com isso, memórias não solicitadas, traumas e pessoas aleatórias sobem para a superfície. Eu, ali boiando no mar da inconsciência, olho pros lados sem entender porquê. Acordo, vivo, durmo de novo. Outros sonhos, mais sonhos, mais coisas que ainda não sei a função.
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Esperando um dos vôos da viagem, termino de ler A obscena senhora D, da Hilda Hilst. É a primeira vez que leio sua prosa e sou arrebatada, mas diferente de como foi com sua poesia. A estranheza porém é a mesma. Está tudo ali, sempre esteve tudo ali. Lembro da visita à Casa do Sol. Lembro de seus objetos e do chão em volta da casa. Lembro de uma escritora que jamais conheci. Ela, Hilda, é alguém que passa por mim como familiar.
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Ter sido. E não poder esquecer. ter sido. E não mais lembrar. Ser. E perder-se. repeti gestos palavras passos. (p.54)
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Ouço as coisas ao meu redor. O mundo – a vida – acontece à minha revelia. Idiomas que não entendo, mas não é só isso. A força da linguagem está em tudo, para além das palavras. Ouço e estou cansada – o silêncio é uma bênção e uma raridade.
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A criança que fui está de mãos dadas comigo. Na outra mão, a adolescente que hesita ir embora. Não me lembro de quase nada da infância. São flashes de registros: fotos, cartas, cacarecos. Atravesso as ruas do tempo acompanhada. Talvez seja, ainda, o medo de adultecer.
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Escrever literatura é uma operação contrária à passagem do ato, ela troca, substitui, a passagem ao ato. É justamente por isso que devemos concordar que um romancista que descreve um ato canibal ou um rapto não deve ser interceptado pelas forças da ordem e atirado num calabouço. (Ariana Harwicz)
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Me arrependo de algumas coisas e muitas tem a ver com dinheiro mal empregado em promessas que demorei muito para desacreditar. Invejo o sucesso alheio, as relações sociais e parassociais, os eventos nos quais não sou convidada.
Lamento uma série de escolhas que envolvem minha juventude – não sou diferente de ninguém, claro. Agora que <ser jovem> finalmente ficou para trás, me despeço com retrogosto de nostalgia, antes tão amada e que hoje, se faz desagradável.
Escrevo com vergonha e coragem, mesmo sabendo que não serei lida por ninguém. Não tenho herdeiros e talvez tenha feito pouco do meu tempo.
Viajar quebra coisas naturais em mim.
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(…) todo verdadeiro escritor escreve a partir da selva e do deserto, desencanta a palavra ali, sempre começa do zero, naquele ponto em que cada palavra é como a primeira criação. Assim, escapa-se da repugnante domesticação da linguagem que vivemos hoje. (Ariana Harwicz)
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Os lapsos de memória têm sido cada vez mais comuns e me justifico com um <pós-covid>, um <digerindo um luto> ou mesmo uma não diagnosticada <perimenopausa>. Mas a verdade pode ser o inexorável tempo mostrando a genética em doses cavalares, como nos cabelos que embranquecem e rareiam, como a pele cada vez mais seca, como as bolsas debaixo dos meus olhos que incham. Talvez também, seja uma precocidade de Alzheimer, como saber?
Ou talvez esteja cada dia mais esquecida porque já não posso contar nada pra ela.
Drops
Todo final de ano envio cartões pelos correios. O nome <te escrevo cartas> não é a toa, eu realmente escrevo. Quem é apoiador recorrente deve receber em breve, mas ainda dá tempo se você quiser também. A arte é surpresa e inédita. Custa r$20 e outros detalhes estão no formulário
Nos dias 05 e 06 de dezembro, crianças e adolescentes do projeto Vida em Movimento - Balé, da Associação Morumbi de Integração Social (AMIS), apresentam o espetáculo O Vale Encantado na sede da AMIS, na Rua Carvalho de Freitas, 1.076 – Vila Andrade, São Paulo. Os ingressos são gratuitos via Sympla
A querida Gaía Passarelli está com pré-venda de seu novo livro. Deslumbre – histórias de obsessão musical, que será publicado pela Editora Terreno Estranho, é um mergulho na formação musical de uma geração — do Espaço Retrô ao Hell’s Club, da MTV Brasil ao Peel Acres — narrado com memória, jornalismo e paixão. Tem brinde na pré-venda, eu que não vou perder!
O Festival Poesia no Centro está com chamada aberta para o Megafone
Fiz uma <black friday> dos meus livros:
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Um abraço,
paulamaria






Sempre um alento te ler.
Ótimo