A Odisseia
uma edição fora de hora para o filme mais aguardado dos últimos tempos (será?)
Oi!
Envio essa edição no começo da semana para que você aí do outro lado entre no clima do aguardado <próximo filme do Christopher Nolan>, também conhecido como a mais nova adaptação do clássico da literatura grega, A Odisseia de Homero.
Não sou fã do diretor, confesso que dentre sua extensa biografia só destacaria três filmes, os quais preciso rever para atestar se passariam no meu gosto cinematográfico atual. Amnésia (2000) é um que assisti mais de uma vez e a experiência continuou interessante e angustiante; Batman: o cavaleiro das trevas (2008) é memorável principalmente pela atuação assustadora de Heath Ledger (r.i.p.) como Coringa e Interstelar (2014) que me pegou demais pelo tema da memória.
Não tenho grandes expectativas de que Nolan faça uma adaptação agradável ao tradicional épico grego, e, ao mesmo tempo, sei que dificilmente uma produção cinematográfica daria conta de uma obra tão rica em detalhes. Minha curiosidade é sobre o recorte possível que ele nos apresentará, que já deu para ter um gostinho na escolha do elenco e pelas cenas de divulgação do longa-metragem. Desde já, achei uma fraca a escolha de Odisseu ser interpretado pelo Matt Damon. Esperava um ator mais velho, mais robusto e menos branco e loiro. Já Jon Bernthal como Menelau faz mais sentido. Anne Hathaway precisaria estar com menos procedimentos estéticos para uma Penélope mais convincente, afinal de contas, a diferença de idade dela para Tom Holland, que interpreta Telêmaco (seu filho) é de apenas 13 anos.
Mas eu, que sou apenas uma camponesa, assistirei ao filme como entretenimento. A literatura seguirá firme e forte, aberta à eternas adaptações e interpretações. Isso é das coisas mais bonitas da arte, a possibilidade de desdobramentos ao longo da história. Humildemente compartilho alguns destaques da obra original, que <catei> diretamente do gosto pessoal de meus colegas helenistas do curso de Letras na Usp. Além disso, após os destaques, deixo um poema-colagem que produzi a partir do encarte de uma mostra do Cinusp de 2023.
Divirtam-se!
Um abraço,
paulamaria.
Na zap-entrevista que fiz com os amigos helenistas, comecei pelo básico: é Odisseu ou Ulisses? Em uníssono, o vulgo maioral é Odisseu. Para quem não sabe, na tradução latina, o nome Odisseu passa para Ulisses. Existem algumas explicações fonológicas para isso, mas não sou suficientemente habilitada. Conhecendo este grupo de amigos, fica evidente a preferência pela localização grega do texto épico, visto que é a sua origem. Alguns deles inclusive preferem a Ilíada à jornada de Odisseu. Eu, que fugi da responsabilidade de me formar em Letras Clássicas, prefiro as desventuras em série de nosso guerreirinho, porque acho mais divertida no geral.
Em seguida, perguntei-os sobre quais seriam as cenas preferidas de todo o poema. Ah, acho que ainda não tinha falado sobre isso: a Odisseia é um poema épico, que tem cerca de 12 mil versos, variando em uma centena a depender da tradução. Estes versos são divididos em 24 cantos, uma espécie de divisão por capítulos. Dito isso, os cantos mais citados foram o VI, VIII e XXII. Do canto VI, a interação entre Nausicáa e Odisseu. No canto VIII, destaque para quando Demódoco canta a traição da Afrodite e do canto XXII, no massacre dos pretendentes, a atuação impecável de nosso herói fingindo-se de mendigo. A personagem favorita também foi louvada em coro: Penélope, a esposa que aguarda o retorno do herói, mas é mais esperta do que todo mundo do rolê. Favor não confundir com uma tradwife dos anos 2020. Nossa Penélope merece respeito.
A última pergunta para o grupo foi sobre obras relacionadas ou que façam lembrar da Odisseia e/ou suas personagens, que aqui listo:
Ulysses, da banda Papooz
She sells, da banda Roxy Music
Nausicaa, de Cameron Winter
Tales of brave Ulysses, da banda Cream
Calypso, da Suzanne Vega
Dragon, da Tori Amos

Agradeço aos queridos colegas por toparem a zap-entrevista neste final de semestre que atropela a todos nós. Que Zeus nos guie pelos melhores caminhos.
Agora deixo com vocês meu poema-colagem em homenagem ao nosso guerreirinho travesso:
Drops
Precioso guia de leitura da Odisseia pela querida professora Giuliana Ragusa
Um podcast para entender mais da mitologia helênica: Noites gregas






Preciso dizer que o Noites Gregas foi bem podcast companheiro por anos. Gosto demais de ouvir as histórias com o Professor Moreno
amei demais o poema colagem!!